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Artigo publicado na Revista Ponto Urbe

Os manjadores entenderão: os conteúdos virais e a sociabilidade no ciberespaço.

 

Vinicius Santucci Rossini

Quem assistiu a edição do Jornal do SBT, do dia 20 de Janeiro de 2012, deparou-se com uma cena curiosa. O âncora Carlos Nascimento inicia o programa com um desabafo: “Ou os problemas brasileiros estão todos resolvidos, ou nos tornamos perfeitos idiotas. Luiza já voltou do Canadá e nós já fomos mais inteligentes” disse ele, num tom de indignação. A perplexidade do jornalista diz respeito a uma brincadeira iniciada nas redes sociais, que tomou proporções gigantescas, transbordando os limites da virtualidade. O caso em questão diz respeito a Geraldo Rabello, empresário e colunista social paraibano, que, numa colocação infeliz ao fim de comercial televisivo referente a um empreendimento residencial, expõe particularidades familiares. Ao descrever a excelência do empreendimento, comenta ter convocado toda a família para desfrutar do bom ambiente, “menos Luíza, que está no Canadá”, referindo-se à filha que fazia intercâmbio no exterior. Sem nenhum propósito aparente, a frase em questão popularizou-se na internet ao ser compartilhada e reproduzida nas redes sociais. Sites dedicados a Luiza, evento de recepção à garota no aeroporto, paródias do vídeo e adaptação de frases que terminavam com o trecho “menos Luiza, que está no Canadá” tornaram-se virais nas redes sociais, sendo compartilhados e recriados por cada vez mais pessoas durante as primeiras semanas de 2012. A popularidade foi tanta que a mídia tradicional, sobretudo a mídia televisiva, criou matérias sobre o caso, chegando mesmo a entrevistar Luiza, até então uma completa desconhecida. Toda a repercussão do caso incomodou, não apenas Carlos Nascimento, como também muitas pessoas que, ao não compreenderem e não acompanharem o fenômeno, o admitiam como simples futilidade e perda de tempo.

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O que é o CyberNAU

CyberNAU

No ano de 2012, o Grupo de Estudos em Antropologia Cibernética (CyberNAU) foi refundado com o objetivo de iniciar uma nova área de pesquisas, estudos e encontros na Universidade de São Paulo. A partir da metodologia e da orientação teórica das Ciências Sociais, ligado aos modos de pesquisa etnográfica da Antropologia e aos temas trabalhos no Núcleo de Antropologia Urbana (NAU), o CyberNAU buscou explorar temas de pesquisas na Internet (como local e ferramenta de pesquisa) e da Internet (como objeto de estudo), tendo em vista a baixa quantidade de estudos na área – principalmente na Universidade de São Paulo – e o aumento da importância e do uso das novas tecnologias, e de sua interface de relação com os seres humanos na contemporaneidade.

Guilherme P. Meneses

Vinícius S. Rossini

O que é o NAU

O NAU, Núcleo de Antropologia Urbana, formado em 1988 no Departamento de Antropologia da FFLCH/USP, é um grupo de pesquisa e de discussões teórico-metodológicas sobre a dinâmica da cidade, as formas de sociabilidade que propicia e as instituições e equipamentos urbanos, próprios das sociedades contemporâneas, que abriga. O Núcleo integra pesquisadores nos níveis de iniciação científica, mestrado, doutorado e pós-doutorado, cujos projetos se distribuem em quatro linhas temáticas: Práticas culturais e sociabilidade no contexto urbano, Formas de religiosidade, Métodos em Antropologia Urbana e Antropologia das sociedades complexas. Além de estudos localizados na cidade de São Paulo, há trabalhos que foram ou estão sendo desenvolvidos em outras cidades e centros urbanos brasileiros, alguns por iniciativa de seus pesquisadores associados. O Núcleo, cadastrado no Diretório dos Grupos de Pesquisa do CNPq e certificado pela USP, realiza encontros regulares com seus pesquisadores e também promove seminários e intercâmbio com outras universidades e centros de pesquisa e os divulga por meio de sua publicação online semestral, a revista Ponto Urbe.

Inicialmente, o NAU era composto apenas pelos meus orientandos de pós graduação, com o propósito de compartilhar experiências por meio de apresentação de resultados parciais do trabalho de campo, troca de bibliografia, preparação de papers, discussão de projetos e relatórios. O interesse que os temas de Antropologia Urbana vinham despertando, inclusive entre alunos de graduação, fez com que o Núcleo abrisse espaço para estudantes de Iniciação Cientifica, ao mesmo tempo que mantinha contato com seus pós-graduados, já como pesquisadores e professores em diferentes instituições universitárias do país. A experiência de colocar em contato estudantes com objetos de estudo variados e, principalmente, em diferentes etapas de pesquisa, revelou-se sumamente enriquecedora por estabelecer um sistema de trocas capaz de minimizar o caráter muitas vezes demasiadamente individualizado e unidirecional da relação orientador-aluno.

José Guilherme C. Magnani